Desporto e empresas em debate nas Torreense Talks
Desporto e empresas em debate nas Torreense Talks

O papel do futebol profissional, a atração de investimento, a fiscalidade, a gestão de talento e o impacto das marcas marcaram o painel “O Desporto e as Empresas“, integrado nas Torreense Talks do programa Torreense 360º – Todos em Campo.

Moderado por Sérgio Krithinas, diretor‑adjunto do Record, o debate juntou Reinaldo Teixeira, Rogério Fernandes Ferreira, Alexandre Mestre, Bruno Borges e Sílvia Nunes. A conversa sublinhou a ligação cada vez mais estratégica entre o desporto e o universo empresarial.

A visão da Liga Portugal

Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal, foi uma das vozes mais marcantes do painel. Defendeu que futebol e empresas partilham exigências comuns – visão, liderança e capacidade de execução – e destacou o investimento como fator decisivo para o crescimento do setor.

“Futebol é paixão, empresas são razão. Mas há uma interligação”, afirmou, lembrando a dimensão do fenómeno em Portugal: na última época, o futebol profissional somou cerca de quatro milhões de espectadores nos estádios e mais de 50 milhões de telespectadores. Para o dirigente, trata‑se de “uma das maiores plataformas de comunicação do país”.

A ideia ficou sintetizada numa frase que marcou a sessão: “Não conheço nada mais transversal que o futebol. Não conheço nada que promova mais as empresas e as marcas que o futebol.”

Fiscalidade e enquadramento legal

O enquadramento fiscal foi outro dos temas centrais. Rogério Fernandes Ferreira considerou que Portugal tem condições competitivas para atrair investimento, mas comunicará pouco e mal as suas vantagens junto dos investidores internacionais. Sublinhou ainda o papel do futebol como embaixador da marca Portugal.

Já Alexandre Mestre destacou a evolução da legislação desportiva, defendendo que o país dispõe hoje de um quadro jurídico adequado. Ainda assim, alertou para a necessidade de reforçar a fiscalização e valorizou o papel do Tribunal Arbitral do Desporto na resolução mais rápida de conflitos.

Marcas, talento e impacto empresarial

A perspetiva das empresas chegou pela voz de Bruno Borges, fundador da IServices. O empresário explicou como o desporto ajudou a projetar a marca, hoje com presença internacional e cerca de 700 colaboradores. O futebol, disse, foi uma alavanca relevante para o crescimento da empresa em Portugal.

Sílvia Nunes, da Michael Page, trouxe o olhar dos recursos humanos. Destacou que as competências desenvolvidas através da prática desportiva – como liderança, resiliência ou trabalho em equipa – são cada vez mais valorizadas nos processos de recrutamento.

Economia do futebol e sustentabilidade

O debate abordou ainda a competitividade fiscal do futebol português e o impacto económico da modalidade. Reinaldo Teixeira lembrou que o setor gera centenas de milhões de euros em receita fiscal para o Estado e defendeu uma reflexão sobre o enquadramento tributário aplicado ao espetáculo desportivo. Reforçou também a importância do investimento privado para a sustentabilidade dos clubes.

A fechar, deixou uma mensagem centrada no fator humano: “As empresas são as pessoas, as pessoas são o problema e a solução.”

O Torreense 360º prossegue esta sexta‑feira e sábado com o Dia Torreense, dedicado à comunidade, e termina no domingo com uma missa campal e aquele que será o maior almoço comunitário da história do clube.