The Last of Us Part II: Controverso entre o amor e ódio

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Os primeiros três dias após o lançamento de The Last of Us Part II renderam mais de 4 milhões de unidades e tornou-se no exclusivo PlayStation 4 que mais rápido vendeu. A sequela da Naughty Dog foi lançada no passado dia 19 de junho em formato físico nos pontos de venda habituais, e em formato digital na PlayStation Store, por um valor estimado de 69,99€.

O controverso exclusivo da PlayStation tem gerado bastantes reações nas redes sociais e comunidades de fãs da série, especialmente depois de serem conhecidas as análises de alguns sites da especialidade, que consideraram este como um dos melhores jogos de sempre. Com uma história intrigante, The Last of Us Part II segue o percurso de Ellie, uma sobrevivente de dezanove anos que apresenta uma maturidade acima da idade, resultante das circunstâncias de um ambiente pós-apocalíptico onde vive.

Embora não possamos dar conta de tudo sobre The Last of Us Part II ao qual os fãs se dividem, será uma boa ideia enumerar algumas das maiores controvérsias que tornaram este um dos jogos mais debatidos da história recente.

Aviso: Os pontos seguintes incluem alguns spoilers.

A controvérsia LGBT+

Ellie, a protagonista do jogo, já tinha dado sinais da sua inclinação sexual, depois de ter beijado Riley em Left Behind – uma sobrevivente afro-americana inicialmente introduzida em American Dreams, é um dos primeiros personagens a morrer, enquanto Ellie revelou-se imune e a chave para salvar a humanidade. Agora, em The Last of Us: Part II, Ellie volta a envolver-se romanticamente com Dina. De etnia árabe-americana, aparece agora pela primeira vez na série e torna-se parceira de Ellie e um dos personagens que a ajudam na sua luta por vingança.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

A sexualidade de Ellie foi confirmada pelo diretor criativo Neil Druckmann que admitiu que Ellie seria de fato uma lésbica. Esta revelação gerou criticas junto de alguns jogadores, pelo ênfase nos personagens e nas histórias LGBT+, justificando que The Last of Us Part II concentra-se demais no relacionamento de Ellie e Dina, enquanto outro personagem transgénero (Lev, americano de etnia asiática) luta contra a sua identidade de género, com grande risco para si e para a sua família, no meio de um elenco de personagens racialmente diverso.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

Por outro lado, existem outros jogadores que elogiam The Last of Us Part II, não só pela diversidade dos seus personagens, como pela forma como o jogo os retrata e constrói ao longo da história.

A morte de Joel

A revelação de que a história de Joel e o seu relacionamento com Ellie iriam continuar em The Last of Us Part II, empolgaram muitos fãs da série. O que estes jogadores não esperavam era que a maioria das aparências e interações de Joel com Ellie seriam limitadas a alguns flashbacks. A morte de Joel, para alguns jogadores, é confusa, especialmente depois do que sabemos sobre este personagem. Pouco antes da sua morte, Joel e o seu irmão Tommy tentam ajudar Abby a sair de uma situação de risco de vida. Em The Last of Us, vemos várias passagens onde Joel não confia em sobreviventes humanos. Ele chega ao ponto de preferir atropelar alguém, em vez de arriscar ser traído. Por causa da sua natureza cautelosa, alguns acham improvável que ele tente ajudar Abby nessas circunstâncias.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

Por outro lado, em The Last of Us Part II todo o enredo acaba por girar em torno das consequências da morte de Joel, por isso, o evento, não se tratou exatamente de uma morte indiferente apenas criada para causar o choque.

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Num dos trailers do jogo vemos uma figura misteriosa colocar a mão na boca de Ellie. Quando ela se vira, vemos que a figura misteriosa é Joel. Ellie pergunta: “O que fazes aqui?” e Joel responde: “Achas que te deixaria fazer isto sozinha?”. Esta cena acontece, de facto, no jogo, mas a principal diferença é que Joel é substituído por um novo personagem chamado Jesse, que aparece no enredo de forma surpreendente.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

Para agravar esta situação, existem alguns trailers anteriores onde é possível ver uma versão mais antiga de Joel a interagir com Ellie. Essas cenas sugerem que as interações ocorrem dentro da linha do tempo presente em The Last of Us Part II, mas a verdade é que são apenas flashbacks onde Joel apresenta-se com uma aparência mais jovem. A diferença de aspeto de Joel entre os trailers e o jogo, poderá ter sido manipulada pela Naughty Dog com o propósito de confundir as pessoas e esconder o seu destino final.

Curiosamente, esta controvérsia não se limita a Joel. A certa altura, o diretor Neil Druckmann confirmou que Ellie era o único personagem jogável. No entanto, agora sabemos que também podemos controlar Abby durante um tempo significativo (metade do jogo).

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

Enquanto alguns fãs compreendem estas alterações da Naughty Dog, com o objetivo de preservar os personagens e proteger algumas surpresas, existem outros que não consideram o efeito surpresa justificação suficiente para a construção de táticas desnecessárias e propaganda enganosa.

Abby Anderson

Para surpresa de muitos, em The Last of Us Part II vamos controlar Abby por cerca de metade da campanha, mas esta troca de protagonistas não agradou a todos, e isto justifica-se especialmente por aquilo que já dissemos acima. Algumas pessoas claramente não gostam de Abby, porque ela é uma protagonista feminina, pela sua inclinação sexual, ou simplesmente por ser um segundo protagonista jogável, tirando importância a Ellie.

Por outro lado, para alguns fãs, o personagem Abby é pouco trabalhado, não permitindo uma construção tão profunda como a de Ellie, algo que piora a experiência e torna o personagem menos carismático.

A Violência

Em The Last of Us Part II esta controvérsia continua um debate que não é completamente novo no mundo dos videojogos. Enquanto alguns trailers promocionais sugeriam que a violência iria ser uma constante no jogo, estes vídeos escondiam que a sequela iria depender de facto muito mais da violência do que era anteriormente sugerido, para mais tarde adicionar personalidades e histórias que fazem os jogadores sentirem-se culpados pelas suas ações.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

Alguns argumentaram que o jogo transmite a sensação de controlo de Ellie na forma como ela resolve os encontros com os inimigos, mas na verdade apenas sugere a ideia de que o jogador infligiu violência desnecessária, sem que este pudesse escolher uma resposta alternativa.

O final de The Last of Us Part II

A principal controvérsia associada ao final de The Last of Us Part II envolve a decisão de Ellie deixar Abby viver. Alguns fãs estão desapontados por não terem matado Abby depois desta ter morto Joel, enquanto outros argumentam que a motivação de Ellie para não matar Abby é baseada numa visão que aparece num momento muito conveniente.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

Também existem criticas à forma como o jogo termina, quando comparado com o final do jogo original, em termos de impacto e qualidade.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: PlayStation

Alguns Detalhes Técnicos

No aspeto técnico, The Last of Us Part II é igualmente espantoso e decepcionante. Enquanto o trabalho nos detalhes parece ter merecido total atenção do estúdio, alguns pormenores de física, volumes e animações apresentam erros difíceis de ignorar, como o comportamento da água ou os warps nas animações. Já nas texturas, demasiado plastificadas, não apresentam um aspeto realista.

Outro fator decepcionante é o fraco comportamento da IA, que permanence impávida e serena enquanto arremessamos objetos mesmo à sua frente, ou quando estes chamam os companheiros depois de encontrar um colega caído no chão, permanecendo imóveis à espera de, também eles, serem atingidos.

Se o grafismo não surpreende, já a jogabilidade é fluída e os menus são intuitivos. Com tanta controvérsia no aspeto mais teórico, e alguns pontos positivos e negativos no aspeto técnico, The Last of Us Part II acaba por ser uma experiência que não deixará ninguém indiferente.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II. Imagem: Naughty Dog

The Last of Us Part II pode ter atraído alguma controvérsia entre os fãs da série, mas não parece que isso tenha sido suficiente para afetar as vendas.

No fim, as opiniões sobre The Last of Us Part II resumem-se aos sentimentos pessoais de cada jogador e a sua perceção individual sobre a violência em relação à história, caracterização do elenco e construção do mundo.

Actigamer