O setor regulado do jogo online em Portugal abrandou de forma clara em 2025. Os dados do relatório do quarto trimestre do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos mostram que o crescimento anual das receitas ficou nos 8,49%, o valor percentual mais baixo desde que o mercado foi criado. Ao mesmo tempo, o número médio de contas ativas por trimestre caiu 0,64% face a 2024.
Desaceleração nas receitas e impacto fiscal
O Imposto Especial de Jogo Online continuou a subir, embora a um ritmo menor, atingindo 353 milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelas Receitas Brutas de Jogo (RBJ) dos Jogos de Fortuna ou Azar, que cresceram 11,85%, também aqui o registo mais baixo desde o início do setor.
Nas Apostas Desportivas à Cota, o volume de apostas recuou 0,90% em comparação com 2024, o que se refletiu numa queda equivalente no imposto recolhido.
No total, as RBJ atingiram 1.206 milhões de euros. As apostas desportivas contribuíram com 447 milhões (um crescimento de 3,23%, novamente o mais baixo de sempre), beneficiando de uma ligeira subida da margem de retorno. Já os Jogos de Fortuna ou Azar somaram 759 milhões.
Fora do online, também houve recuos: os casinos físicos perderam 1,15% das receitas e as salas de bingo diminuíram 1,56%.
Mercado mais maduro e padrões de consumo estabilizados
A evolução do setor indica um mercado que se aproxima da maturidade, com padrões de consumo mais estáveis entre os utilizadores das plataformas licenciadas.
O quarto trimestre de 2025 registou menos contas ativas do que o período homólogo (-2,45%), repetindo a tendência dos trimestres anteriores. No total anual, foram criadas 910 mil novas contas, menos 21,80% do que em 2024 e abaixo também de 2023.
Posição da APAJO e desafios futuros
Ricardo Domingues, presidente da APAJO, considera que estes números confirmam uma tendência já visível nos últimos anos: um crescimento mais lento, típico de um setor que entra numa fase de consolidação. Sublinha, no entanto, a necessidade de reforçar o combate ao jogo ilegal, onde 40% dos portugueses continuam a apostar, e de atualizar a oferta licenciada para acompanhar a procura.
O responsável destaca ainda o papel dos operadores licenciados no cumprimento das obrigações legais e fiscais, contribuindo para a economia e para o financiamento de áreas de interesse público, ao mesmo tempo que garantem um ambiente de jogo seguro e supervisionado.
Proteção do jogador: primeiras quebras nas autoexclusões
Pela primeira vez, o número de novas autoexclusões diminuiu, com uma variação de -1,06% face ao ano anterior. No quarto trimestre, o total de contas autoexcluídas chegou às 361 mil, registando o menor crescimento homólogo de sempre (23,6%).
Estes valores acumulam-se ao longo dos anos e refletem tanto o reforço dos mecanismos de proteção como a crescente adesão voluntária dos utilizadores.





