Análise: Two Point Hospital (PS4)

0

 

Cansado de estar horas à espera no consultório? Paga demasiado por cada consulta? O tratamento é demorado e ineficaz? Não espere mais! Two Point Hospital tem os melhores médicos da região e equipamentos de topo que prometem curar qualquer maleita! Aqui ninguém fica doente por muito tempo! Este podia ser o slogan de Two Point Hospital, onde uma gestão exemplar irá levar-te ao merecido reconhecimento entre a comunidade médica virtual.

Já deves ter percebido que Two Point Hospital, desenvolvido pela Two Point Studios e publicado pela Sega, é um simulador de gestão hospitalar, mas isso não quer dizer que seja aborrecido, entediante ou até complicado de perceber. Prepara-te para horas de diversão, porque neste jogo ninguém fica indiferente às hilariantes ‘situações médicas’ que nos são propostas! Só tu podes descobrir como curar uma ‘cabeça de lâmpada’, ou um ‘íman de bichos’. Recorre aos médicos deste gestor hospitalar, os únicos na região que foram treinados para estas situações no mínimo peculiares.

Anunciado como o sucessor espiritual de Theme Hospital, lançado em 1997, o novo Two Point Hospital já garantiu um bom entretenimento quando chegou ao PC em 2018. Este sucesso pode dever-se ao facto de parte da nova equipa já ter trabalhado na Bullfrog Productions, o estúdio responsável pelo desenvolvimento do jogo original. Se ainda assim, uma equipa experiente nem sempre garante bons resultados, Two Point Hospital parece ter sido uma agradável surpresa.

Agora, e cerca de dois anos depois, a Sega decidiu adaptar Two Point Hospital também para as consolas PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, provavelmente numa tentativa de extrair algum valor de um jogo que, apesar de ter sido um sucesso no PC, já não é propriamente uma novidade. Será que esta formula humorística de simulação resulta tão bem no comando, como resultou no teclado? Para um diagnostico mais preciso, vestimos a bata e fomos diretamente para o consultório médico de Two Point Hospital.

Two Point Hospital

Two Point Hospital

Logo à primeira vista, a adaptação de Two Point Hospital para as consolas parece uma hipótese lógica, e de tal forma evidente que até nos perguntamos o porquê de só agora ter sido lançada. Existem desde logo três razões para chegarmos a esta conclusão. A primeira passa pelo aspeto visual do jogo, que sendo muito atrativo, não apresenta nenhum detalhe gráfico que exija um hardware demasiado poderoso. Além disso, vivemos uma época muito virada para as multiplataformas, e sendo este um jogo publicado pela Sega, não existiriam à partida, barreiras óbvias para uma exclusividade única.

Por fim, e talvez esta seja a razão mais relevante, é o facto do seu antecessor espiritual, Theme Hospital, também ter chegado à PlayStation original, e com excelentes resultados em todas as áreas. A grande questão que se coloca, é que em 1997 o processo de adaptação para as consolas foi encomendado a um estúdio externo, a Krisalis Software. A mesma decisão voltou a ser tomada para Two Point Hospital, sendo a tarefa, desta vez, entregue à Red Kite Games. Embora este seja um experiente estúdio que se dedica inteiramente a adaptações para consolas, a abordagem poderia resultar numa formula diferente do formato original, com inovações ao nível da jogabilidade, do manuseio do comando ou até na narrativa. A incerteza do resultado foi fator provável para uma adaptação simples e idêntica a Theme Hospital. Como se costuma dizer, e neste caso, numa formula vencedora, não se mexe.

Comando Médico

Para gerir o louco hospital de Two Point Hospital, não basta contratar meia dúzia de médicos preguiçosos e esperar que todas as maleitas sejam curadas. Também é necessário criarmos todas as infraestruturas básicas que, entre outras, incluem, salas de consultas, equipamento médico, extintores, casas de banho, profissionais auxiliares, e basicamente tudo o que esperaríamos encontrar numa experiência real. Com tanto por onde editar, podíamos sentir a falta do rato e teclado, mas isso não acontece!

Todas as ações são fáceis e intuitivas, e embora não possamos fazer um zoom tão rápido e preciso como no PC, a jogabilidade parece muito natural na PS4, a plataforma onde testámos esta adaptação. Além da já habitual câmera panorâmica, a versão para consola inclui ainda uma visão esquemática exclusiva do atual layout da sala que estamos a construir, incluindo as portas e outros pontos móveis. Esta foi uma agradável surpresa que damos como muito bem-vinda. O processo de navegar entre menus e selecionar abas nas estatísticas também foi bem resolvido, o que resulta numa experiência geral muito agradável.

Adaptação Cirúrgica

Two Point Hospital não foi apenas bem-adaptado na jogabilidade, e logo no tutorial inicial temos plena perceção disso. Qualquer texto que nos seja apresentado é bastante legível, e o cativante visual ao estilo cartoon manteve todo o seu encanto na PS4. O humor também se mantém inalterado, e para o podermos apreciar por mais tempo, recebemos ainda três hospitais extra nesta versão. No ponto de vista mais técnico, não reparámos em qualquer travagem ou atraso de carregamento. O cenário alegre e colorido talvez não utilize muitos recursos de hardware, mas ainda assim é um bom detalhe percebermos que o gameplay é fluido e sem pausas. Todos os textos e falas são, por defeito, em inglês, e embora existam outras opções, como o espanhol, francês ou alemão, o português não é uma delas.

Para nos entreter, Two Point Hospital tem uma divertida estação de rádio com alguns comentários sobre o nosso hospital. Esta é uma forma simpática de conhecermos a perceção dos nossos clientes sobre o hospital e os nossos serviços, pelo menos nos intervalos entre elogios a eles próprios!! É fácil perder-nos a decorar o nosso hospital, enquanto tentamos acertar numa composição perfeita. Os comandos não permitem alinharmos os itens de forma automática, logo temos de ter alguma destreza enquanto aproximamos os itens das paredes ou uns dos outros. Embora não seja um trabalho difícil de executar, torna-se por vezes frustrante, especialmente se tivermos de mover ou re-decorar várias salas.

O aspeto visual acaba por ser muito importante em Two Point Hospital, porque é ele que alimenta ainda mais o aspeto humorístico do jogo, e torna mais natural vermos pacientes com panelas na mão ou lâmpadas na cabeça! A contrapartida disso é que, conforme jogamos mais e mais, as situações tornam-se demasiado comuns e o efeito surpresa perde-se por repetição.

Basicamente, na maioria dos pontos, Two Point Hospital manteve as qualidades e os defeitos base do seu antecessor, que nesta versão para as consolas, também inclui as expansões Bigfoot e Pebberley Island. Além disso, a Sega pouco mais fez do que adicionar algumas pequenas melhorias, principalmente no design de interiores, o sistema de cópia de layouts entre salas, e a personalização de personagens, além da óbvia jogabilidade que teve de ser adaptada para o uso do comando.

Veredito

O cómico simulador hospitalar Two Point Hospital já tinha convencido na sua versão para o PC, e esta nova edição para as consolas conseguiu que não perdesse nenhum do seu brilho anterior. Com uma jogabilidade simples e intuitiva no comando, e menus adaptados para qualquer tipo de ecrã, não sentimos a falta do rato para nos divertirmos, o que resultou numa boa experiência. Embora este teste tenha sido feito na PlayStation 4, com uma reação positiva, achamos que este jogo pode e deve ser jogado com as vantagens de uma Nintendo Switch, não só pela característica móvel da consola, que nos permite jogar em qualquer lugar, mas especialmente pela sua natureza descontraída e casual.

Embora a adaptação não corrija alguns defeitos base que a versão de 2018 apresentava, a Sega soube incorporar todas as melhorias que já tinha aplicado ao PC, e ainda arranjar espaço para adicionar as duas expansões e alguns pequenos extras. Recheado de humor, Two Point Hospital é um simulador mais relaxado e divertido que algumas das ofertas já disponíveis, e sempre sem esquecer as suas bases como um jogo de gestão.

Para enviar uma sugestão, tens de fazer ou .

Comentários

Ainda sem comentários!

avatar
2000