Análise: Devil May Cry 5 Special Edition

0

Os demónios estão novamente a ameaçar o mundo dos humanos, e a loja Devil May Cry (DmC) abre portas ao serviço uma vez mais. Ainda não é desta vez que vamos conhecer a continuação da história de Dante. A edição especial agora lançada vem aprimorar a edição de 2019 (DMC 5) especialmente pensada para as novas consolas PlayStation 5 e Xbox Series X/S. A Capcom promete uma experiência refrescada, assente em novidades técnicas e ainda mais conteúdo para explorar. Mas se ainda não é o DmC 6, estamos a falar do quê?

Falamos claro de Devil May Cry 5 Special Edition, uma reedição da aventura que já analisámos em 2019, mas que chega agora com com um aspeto mais polido, uma jogabilidade aperfeiçoada e mais algumas surpresas extra. As novidades não se limitam a novos visuais, ou à capacidade de chegar a uns impressionantes 120 fps e resoluções 4k (embora nunca em simultâneo), mas passam ainda pela chegada de um novo personagem jogável, com as suas próprias sequências finais e habilidades.

DMC 5 foi uma boa surpresa no ano passado, mas será que esta edição especial é forte o suficiente para sobreviver na nova geração de consolas? Ou será que matar demónios já passou de moda? Afinal, vale a pena comprar esta edição? Para responder a esta e outras questões, pegámos no comando da nossa PS5, sal e água benta, e com o máximo de estilo lançámo-nos à aventura de Devil May Cry 5 Special Edition.

Devil May Cry 5 Special Edition

Devil May Cry 5 Special Edition

Antes de começarmos a falar desta edição especial, temos de referir algo que nos surpreendeu em DmC 5 (2019). A jogabilidade apurada e a diversidade de estilos de luta. e até de comportamentos, entre os três heróis, foi algo que nos deixou com boa impressão. Este pormenor acrescenta mais profundidade aos personagens e é um detalhe normalmente esquecido quando falamos de jogos com protagonistas. A original forma de incluir co-op na história, ou pela complexidade dos combos, a verdade é que muita coisa foi bem-feita em 2019. A Special Edition não pretende alterar essa dinâmica, mas sim acrescentar algo mais, com o pretexto de levar a série para as novas consolas.

Podemos descrever rapidamente o que já experimentámos em DMC 5. Como já referimos, existiam três personagens principais, cada um deles com o seu estilo próprio.

  • Dante apresenta um estilo mais direto e até arcade, graças à sua enorme espada que desfere golpes por área, e à sua pistola para ataques mais precisos e com alcance.
  • Nero transmite uma sensação mais divertida e fluida, com o seu braço modificável e uma espada motorizada, que fica mais forte ao longo dos combos que conseguimos atingir.
  • V, um estreante na série, apresenta uma forma de jogar totalmente nova, com as suas poderosas habilidades de marionetista, que, se bem encadeadas, o tornam praticamente intocável.

Se tudo isso parecia funcionar bem, a experiência só pode ser ampliada com uma das maiores novidades desta versão, a inclusão de Vergil como um dos personagens jogáveis.

Super Vergil Edition 5

Repararam no trocadilho do título? Não foi por acaso! A chegada de Vergil é tão apoteótica que justificava mudar até o nome do jogo! Esta é a maior novidade de DmC 5 Special Edition. Com a adição de Vergil, chega um estilo de combate completamente baseado na velocidade de movimentos, que vai ao ponto de lhe dar a capacidade de se teletransportar para junto dos inimigos com um simples premir de um botão (neste caso o circulo, na PS5).

O irmão de Dante tem quatro armas no seu arsenal, todas elas com diferentes utilidades e poderes. Entre elas, a sua arma de assinatura, a katana Yamato, as úteis Mirage Blades para ataques de média distância, socos amplificados por Beowulf para lutas corpo a corpo, e ainda as Mirage Edge, que podem ser usadas como forma de ataques a longa distância. Se incluirmos nesta lista a sua capacidade de criar clones que utilizam os seus próprios ataques de katana, reparamos que Vergil é provavelmente o personagem mais completo do jogo, mas não significa que seja o mais poderoso. Todas estas combinações de habilidades requerem um pouco mais de perícia quando comparamos com as exigências de luta dos outros personagens. Com isto em conta, Vergil é certamente o personagem certo para os jogadores mais técnicos ou fãs de longa data da série DMC. No fundo, é mesmo esta a vantagem do jogo – a diversidade de opções.

Menos positivo é o facto da integração de Vergil no jogo ter sido feita sem cinematics específicos ou novas missões para a sua personagem, um detalhe que podia funcionar como motivação extra, especialmente para os jogadores que já tenham completado a campanha original de DMC 5.

Relembramos que Vergil também estará disponível no novo DLC do original para PS4, Xbox One e PC, a partir de 15 de dezembro (por cerca de 5 euros), mas sem qualquer modo de jogo extra. DmC 5 Special Edition é, por agora, exclusiva PS5 e Xbox Series X/S

Ainda mais Lendário

Junto com o veloz Vergil chegam também dois novos tipos de jogo, o Modo Turbo, caracterizado pela velocidade acrescida, e o Modo Legendary Dark Knight, que como talvez o nome indique, coloca um desafio ainda maior ao jogador, multiplicando várias vezes o número de inimigos presentes no ecrã ao mesmo tempo.

O nível de interesse em cada modo pode variar um pouco de jogador para jogador. No nosso caso, achámos mais desafiante enfrentar uma quantidade massiva de inimigos em simultâneo, embora os 20% de velocidade extra do modo turbo elevem ainda mais a sensação ‘cool’ dos combos.

Também incluídos nesta versão estão todos os extras de Devil May Cry Deluxe Upgrade, ou seja, o modo Bloody Palace, alguns skins de pré-venda, e ainda 100,000 Red Orbs (moeda do jogo).

O modo extra, é um bom detalhe acrescido, embora não seja novidade, uma vez que alguns jogadores já o puderam utilizar no original de 2019.

Alta Definição

A nível técnico, a Capcom também nos surpreendeu com várias opções interessantes, embora sejam algo confusas de combinar entre si. Podemos jogar em 4K com a tecnologia ray-tracing ativada, porém apenas a 30 fps. Para ir até aos 60 fps com o ray-tracing ativado, será necessário contentarmo-nos com uma definição Full HD (1920×1080 pixels), enquanto a ausência do ray-tracing, já nos permite ir até uns impressionantes 120 fps. Não sabemos se estas limitações se devem ao jogo em si, ao motor de jogo, ou até ao hardware da nova consola, mas é de lamentar que não possamos usufruir de todo o potencial gráfico ao mesmo tempo, isto pelo menos dentro das configurações ditas recomendadas.

Para além das limitações digitais, existem também as físicas. Para apreciarmos uma resolução 4k ou atingirmos os 120 fps, será necessário que a nossa televisão ou ecrã sejam compatíveis com estas tecnologias. No nosso caso, optámos por um meio termo, e ativámos o ray-tracing em Full HD e a 60fps, principalmente porque num jogo tão ‘mexido’ como Devil May Cry 5, menos do que isso seria notoriamente insuficiente.

Para os jogadores que o possam fazer, chegar aos 120 fps é o mais importante para um maior dinamismo, e para tal, sugerimos que desativem o ray-tracing. O jogo já era muito bom a nível visual na PS4, pelo que as sombras e reflexos extra, acabam por acrescentar menos ao jogo do que a maior fluidez dos elevados fps. Por fim, resta-nos referir que esta edição especial de DmC, especialmente desenhado para as novas consolas, ainda não tira grande proveito da função háptica dos comandos DualSense da PS5. Isto justifica-se, talvez porque o jogo original foi desenvolvido para a PS4 ou porque o lançamento da nova edição coincidiu com o lançamento da PS5, deixando pouco tempo para maiores aperfeiçoamentos a este nível. Ainda assim, não nos parece que seja factor relevante para uma tomada de decisão na hora da compra.

Veredito

Do ponto de vista de alguém que já jogou DMC 5, é difícil avaliar se as quase 50 horas que já pudemos viver com Dante, Nero e V, merecem ser repetidas neste Devil May Cry 5 Special Edition. É claro que agora temos Vergil, novos visuais com capacidade ray-tracing, 4k e 120 fps, e até dois modos extra mais desafiantes. Mesmo perante uma goleada, queremos sempre mais um golo e DmC 5 transmite a mesma sensação. Ficou a faltar só um pouco mais! Talvez com mais alguns cinematics e novas missões especialmente dedicadas ao novo personagem jogável, DmC 5 Special Edition seria a joia da coroa da série.

No entanto, e para quem só agora chega ao universo de Dante, ou ainda não jogou a 5ª aventura deste caçador de demónios, esta é uma excelente oportunidade para o fazer. O jogo já era bom antes, e apenas ficou melhor. Devil May Cry 5 Special Edition não é a reedição perfeita, mas com um preço mais reduzido, acaba por ser uma boa oportunidade para começar bem a nova geração de consolas! Com tudo o que já era bom, e até um pouco mais, continua a ser um dos melhores hack and slash do mercado.

[Análise baseada na versão de Devil May Cry 5 Special Edition para PlayStation 5, gentilmente cedida pela Ecoplay]

Positivo
Vergil acrescenta uma jogabilidade mais técnica.
Quatro protagonistas com estilos totalmente diferentes de jogabilidade.
Novo modo Legendary Dark Knight acrescenta um desafio extra para os jogadores mais competitivos.
Possibilidade de jogar em 4k ou até 120fps.
Um preço de venda competitivo.
Negativo
Mantém alguns dos problemas do original.
Vergil não recebeu novos cinematics ou uma nova história.
O Ray-tracing não traz tantas melhorias visuais como seria de esperar.
87
Muito Bom
avatar
500