Análise: Crash Bandicoot 4: It’s About Time

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Crash, o marsupial mais famoso do mundo dos videojogos está de regresso às consolas com a sua mais recente aventura – Crash Bandicoot 4: It’s About Time. Esta é uma sequela direta de uma das trilogias mais populares da PlayStation original, Crash Bandicoot.

Desenvolvido pela Activision, Crash Bandicoot 4: It’s About Time já está disponível para a PlayStation 4, e desta vez também para a Xbox One. Esta aposta surge depois do sucesso da Activision no lançamento de Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, o remake da trilogia original criada pelos estúdios da Naughty Dog.

Agora publicado pela Activision Blizzard, e desenvolvido pela Toys for Bob, Crash Bandicoot 4: It’s About Time é uma tentativa de misturar o antigo com o moderno, apresentando elementos 3D e 2D, e uma enorme variedade de modos. Todo este esforço tem o objetivo de culminar numa experiência divertida para qualquer tipo de jogador, e não cair no erro de ser apenas mais uma aventura, que acabe por agradar só aos mais nostálgicos. Com todo este historial, e desta vez sem karts à mistura, voltamos a reencontrar Crash e amigos para descobrir se ‘já era tempo’ (It’s About Time) deste regresso de um dos melhores saltadores de plataformas do mundo digital.

Crash Bandicoot 4: It's About Time

Crash Bandicoot 4: It’s About Time

Como já referimos, estamos perante o reviver de uma saga histórica que já passou por algumas reviravoltas inesperadas. Iniciada em 1996 com Crash Bandicoot, a aventura principal apenas teve três lançamentos, terminando em 1998 com Crash Bandicoot 3: Warped. Desde então, o universo de Crash recebeu inúmeras adaptações, sendo talvez as mais famosas as de Crash Team Racing, em 1999, ainda produzido pela Naughty Dog (Uncharted, The Last of Us) e o seu recente remake Crash Team Racing Nitro-Fueled, já publicado pela Activision.

O ano de 2017 marcou o lançamento de Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, e um verdadeiro renascer para a série, que na época já estava completamente adormecida há quase sete anos. Da responsabilidade do estúdio Toys for Bob, o remake foi bem-recebido, e vendeu mais de 2 milhões de unidades logo nos primeiros três meses depois do lançamento. Agora, vinte e dois anos depois do lançamento da terceira aventura, chega-nos Crash Bandicoot 4: It’s About Time, a primeira verdadeira sequela em tantos e tantos anos.

O Mais Belo Marsupial

Ao iniciar o jogo, e depois de alguns minutos, o que salta imediatamente à vista são os visuais cuidados desta 4ª parte. Se o remake já apresentava um bom grafismo, o estúdio claramente esmerou-se em It’s About Time, e utilizou todo o potencial do Unreal Engine. É comum em jogos que utilizam um estilo mais ‘cartunesco’, que alguns detalhes visuais sejam ignorados, mas isso aqui não aconteceu.

A iluminação foi bem trabalhada, com os reflexos e as sombras presentes em todos os elementos, e até no gelo! As plantas deslocam-se ao sabor do vento, e até é possível ver pequenos insetos voadores junto dos pântanos. Algumas animações estão um pouco abaixo no nível de qualidade, e são mais humorísticas do que outra coisa. Um bom exemplo disto acontece quando Crash perde uma vida. Ainda assim, e de um ponto de vista global, Crash Bandicoot 4: It’s About Time é um jogo muito bonito e bem trabalhado a nível visual, com uma qualidade, que reconhecemos, acima do esperado.

Salva o Multiverso

Mas nem só dos visuais se faz um jogo, e como é uma sequela direta, o valor da história importa ainda mais em It’s About Time do que em qualquer outro lançamento da série. O plot pode acabar por ser algo complexo. De forma resumida, a aventura começa logo após os eventos de Crash Bandicoot: Warped. Depois dos lacaios de Neo Cortex, N. Tropy e Uka Uka, fugirem da sua prisão graças a uma ‘conveniente’ falha no espaço-tempo, os heróis Crash e Coco são obrigados a intervir para salvar o multiverso. Felizmente, a falha também fez despertar as Quantum Masks, poderosas máscaras que conferem todo o tipo de poderes misteriosos.

De Caixa em Caixa

Como esperávamos, a jogabilidade continua a ser baseada em plataformas, ou não fosse essa a definição dos jogos originais de Crash Bandicoot. Para além dos novos poderes e biomas das variadas realidades alternativas, ainda saltamos de caixa em caixa e entre blocos explosivos. A possibilidade de abrandar o tempo ou ver plataformas transparentes, são habilidades bem inseridas com as mecânicas e historia do jogo, e trazem uma muito bem-vinda variedade extra ao estilo de jogo base que já conhecíamos. Outra novidades é a possibilidade de jogarmos com o vilão Neo Cortex, que fica disponível a certa altura como personagem jogável.

O vilão é mesmo uma das personagens mais divertidas de controlar, e além de abrir novas passagens em níveis já completos, também traz a sua icónica pistola laser que é capaz de transformar os inimigos em plataformas de borracha para saltar. Os gadgets de Dingodile e Tawna também fazem variar ainda mais a jogabilidade, no que acaba por ser um enorme pacote de conteúdo que somos convidados a desbloquear. O conceito é interessante, e funciona bem para dinamizar uma formula já conhecida, mas claramente reinventada.

Se Crash Bandicoot de 1996, já alternava bem entre um estilo 3D e fundos 2D, principalmente devido às limitações técnicas da época, que impossibilitavam uma aventura mais ao estilo de mundo aberto, Crash Bandicoot 4: It’s About Time não quis ficar atrás. Embora apresente uns visuais bem mais modernos e mais detalhados do que antes, por vezes até sugerindo um ar nostálgico, a verdade é que não se trata de um jogo mais fácil do que o original. Os comandos parecem ser mais responsivos do que antes, principalmente graças à modernidade da consola e do próprio comando DualShock 4, quando comparamos com o comando da icónica PS1. Se à partida o jogo parece mais fácil de controlar, a dificuldade vai aumentando de forma progressiva tornando-se um verdadeiro desafio.

Quando já ultrapassamos todos os níveis, ou começamos a prestar mais atenção às tabelas classificativas mundiais, é aí que tudo muda de figura. Os recordes são cada vez mais impossíveis de igualar, e já é preciso algum talento para poder marcar presença nos tops de cada mapa. Mesmo fora desta competição, a um nível médio de dificuldade e com um número infinito de vidas, é possível falhar em algumas secções, mas com alguma paciência, acaba por ser facilmente ultrapassável. Para um desafio mais interessante, existe também o modo clássico, onde as vidas passam a ser colecionáveis, e, portanto, finitas.

O Crash no Bandicoot

Se até aqui este jogo parece-nos agradar, obviamente nem tudo é perfeito em Crash Bandicoot 4: It’s About Time, e existem pequenos detalhes que mereciam ter tido maior atenção pela Activision. Em algumas secções, a câmera move-se de forma inconsistente, algo que afeta negativamente a jogabilidade, especialmente para os jogadores que levarem os recordes mais a sério, ou que procurem um nível de dificuldade mais alto. O mesmo acontece em certos saltos, onde o ângulo de visão fica demasiado baixo. Com um pouco de prática, torna-se mais fácil de ultrapassar, especialmente porque existe um círculo de alvo claramente visível no chão. No entanto, este controlo 2.5D está longe de ser ideal.

Existem mais alguns pontos menos bons que devemos referir, e um deles é a banda sonora. Embora, seja apropriada na maioria dos casos, não é brilhante ao ponto de ser memorável, e fica-se por um razoável nível de qualidade. A estabilidade do jogo também não é perfeita, e na PS4 slim, a plataforma que utilizámos para este teste, o nível de frames desceu um pouco em certos momentos. Os ecrãs de carregamento também foram um pouco extensos, o que culminou num jogo menos fluido do que o desejado. Na PS4 Pro é provável que este problema não se verifique, mas também pode depender dada resolução escolhida.

Para compensar, e como fonte extra de motivação, existem muitas skins para os nossos heróis, que podem ser desbloqueadas sem grande dificuldade ao longo do jogo. Por fim, estão presentes alguns ‘mini-modos’ para multijogador local ou co-op. São apenas ‘mini’ porque, na verdade, não representam um modo multijogador completo, permitindo apenas que os jogadores partilhem o controlo do mesmo personagem. Na verdade, nem era preciso a Activision inserir esta funcionalidade, já que por aqui o comando andou de mão em mão, como é habitual em todos os jogos de plataformas.

Veredito

Nem sempre as continuações estão ao nível esperado, e com uma interrupção de vinte e dois anos, e um novo estúdio e produtora, o risco é ainda maior. Felizmente, Crash Bandicoot 4: It’s About Time acabou por ser uma boa surpresa da Toys For Bob e da Activision.

Com visuais atrativos, muita variedade de conteúdo e o estatuto de sequela, só temos pena que falhe no trabalho de câmera e não apresente um modo multijogador completo. A generalidade dos níveis foi bem conseguida, e a inclusão de desafios para os profissionais dos rankings online confere ainda mais longevidade ao jogo.

Com tudo isto, Crash Bandicoot 4: It’s About Time podia ser uma das melhores sequelas dos últimos tempos, mas mesmo com alguns problemas, esta sequela não desilude. O quarto capítulo de Crash apresenta-se como uma boa aventura de plataformas para toda a família e diversão garantida para os fieis do icónico marsupial.

Positivo
Mantém a essência da saga Crash incluindo modernizações.
Visuais animados e de alta qualidade.
Muita variedade de personagens e mapas.
Tabelas de classificação online e desafios interessantes.
Negativo
Modo multijogador/co-op incompleto.
Pequenos problemas na perspetiva de câmera.
Carregamentos demorados e quebras de frames ocasionais (PS4 Slim).
85
Muito Bom
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